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Terça-feira, 26 de dezembro de 2000

No `Oásis de Paz', judeus e árabes ignoram a guerra
Eles tentam provar que em Neve Shalom é possível aos dois povos conviver em igualdade
DEBORAH HORAN

Houston Chronicle

NEVE SHALOM, Israel - Aparentemente todas as coisas existem aos pares neste povoado de Israel situado a oeste de Jerusalém. Há dois alfabetos - um árabe e um hebraico - pendurados acima dos quadros negros, na escola primária. Dois diretores estabelecem o currículo. O próprio povoado, um oásis, tem dois nomes, e os dois significam "Oásis de Paz". Para os judeus e árabes israelenses que vivem aqui essa duplicidade é da máxima importância.

Eles se mudaram para cá no fim da década de 70 e na década de 80, para provar um ponto de vista corajoso: apesar do conflito árabe-israelense fora do oásis, seria possível viverem juntos em condições de igualdade e paz.

Agora, em meio a uma sangrenta insurreição árabe-palestina e à deterioração das relações entre árabes israelenses e judeus, os moradores deste povoado idílico descobriram que nem sempre é fácil manter o mundo exterior à distância. Entretanto, eles continuaram a ser poderosos símbolos de coexistência.

Quando os árabes do norte de Israel provocaram distúrbios civis, em outubro, e a polícia matou 13 deles, representantes de muitas das 40 famílias que vivem neste povoado, denominado Neve Shalom em hebraico e Wahat al-Salam em árabe, deixaram suas diferenças de lado e entraram, juntos, em veículos utilitários. Foram até o cenário dos choques para protestar contra o que muitos israelenses consideraram brutalidade da polícia contra cidadãos árabes do Estado de Israel. Deram telefonemas de condolências às famílais dos mortos e doaram vacinas contra tétano a um hospital da Cisjordânia, onde ocorreu grande parte da violência. Também enviaram alimentos às famílias palestinas que estavam sem trabalhar desde o início da insurreição.

"Achamos que já é tempo de agir, pois agora há muito desespero,"declarou Nava Sonnenschein, diretor judeu da Escola para a Paz, uma instituição do povoado que promove, entre outras coisas, workshops para jovens árabes israelenses e judeus. Contudo, as 20 famílias judias e 20 famílias árabes que vivem no local descobriram que, por causa da violência, muita coisa deixou de ser dita.

Havia, por exemplo, a questão explosiva que consiste em saber se os jovens judeus de Neve Shalom devem servir no Exército israelense. Se o fizessem, talvez fossem lançados contra os palestinos amotinados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, que poderiam ser parentes das famílias árabes israelenses do povoado. Além disso, havia divergências sobre como a rebelião começou e quem eram os responsáveis por sua intensificação. "Decidimos não discutir os detalhes pequenos e difíceis", explicou Sonnenschein.

As crianças judias e árabes do povoado e das áreas próximas continuaram a freqüentar a escola primária. No recreio, pulavam amarelinha, brincavam no playground e jogavam futebol juntas. O conselho do povoado, formado por árabes e judeus, continuou a se reunir e a fazer seu trabalho. Mas os moradores do povoado, situado no alto de uma colina, ao lado do mosteiro de frades trapistas, descobriram que a violência criou um período de provações para os defensores da coexistência pacífica.

A Escola para a Paz suspendeu temporariamente as sessões de "diálogo" que vinha promovendo entre árabes e judeus, porque as questões tornaram-se muito difíceis de serem discutidas.






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